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ABDA MEDEIROS | ANTROPÓLOGA (CE)


Abda Medeiros vive entre Aracati - Fortaleza e Rio de Janeiro. Mulher libriana, filha, Antropóloga e amiga. Gosta de artes, gastronomias, festas, aviação, praia, futebol e vôlei. É defensora dos Direitos Humanos, feminista e colaboradora da Associação Cultural Cearense do Rock (ACR).


A ACR é uma organização sem fins lucrativos idealizada por integrantes de bandas da cidade de Fortaleza, com o objetivo de promover o rock enquanto um elemento de música, comportamento e transformação. A ACR é a responsável pela realização do Festival Forcaos, um evento consolidado no cenário Cultural do Ceará, que completa 22 anos de existência em 2021.



Desde criança, Abda foi perpassada pelas viagens e o encontro com a diversidade, experiências que sempre a levaram a inúmeras perguntas e às verdades relativas do mundo em que habita. Tornou-se filha única de um pai funcionário do Ministério das Comunicações cujo braço esquerdo era tatuado com uma mulher nua na posição do Cristo, e que ensinou que “coisas de garota” e “coisas de garoto” não são opostas, e sim, devires contínuos.


Já sua mãe, uma mulher bela, doce e afirmativa, sempre foi afinada com as crianças, técnicas de Enfermagem e o corte-costura. Ambos eram despertos em uma fé inabalável que até hoje Abda afirma ter dificuldades de cultivar.

Mediante as diferenças e as adversidades pessoais que foi encontrando ao longo do caminhar, Abda despertou para o mundo valorizando a autonomia, liberdade e o esperançar. Após ter experienciado o Rio de Janeiro e concluir a educação básica, foi para a Universidade Federal do Ceará (UFC) nos anos 2000. Escolheu estudar Ciências Sociais por não se afinar com o cotidiano das profissões alinhadas com a ordem. Entre as pretensões acadêmicas, estava se tornar Cientista Político e docente no Ensino Superior. Mas foi a Antropologia quem a escolheu e Abda a acolheu como docente, pesquisadora e eterna aprendiz do fazer etnográfico.


As vivências com pesquisas foram realizadas entre 2000 a 2014, e privilegiaram os estudos com jovens afinados com a música do rock Metal. Na Graduação, orientada pela professora Dra. Glória Diógenes (UFC), dedicou-se a refletir sobre a produção das corporalidades dentro desse universo musical.


Concomitantemente foi bolsista do CNPq no Projeto Enxame, localizado em um bairro de Fortaleza chamado Santa Terezinha e realizado com jovens, alguns deles em conflito com a lei. As atividades como pesquisadora consistiam em registros das oficinas de fotografia, poesia, teatro e entrevistas com esses sujeitos.


Já no Mestrado, tomou os shows de Metal sob a perspectiva dos rituais e das performances e, no Doutorado, cujo campo de pesquisa marcou o retorno ao Rio de Janeiro em conjunto com Fortaleza, refletiu sobre o universo dos bens materiais e imateriais que configuram esses indivíduos, as coisas e as relações entre estes.


Em ambas as pesquisas Abda foi bolsista do CNPq e orientada pela profa. Dra. Lea Carvalho Rodrigues (UFC). Inspirada pelas aulas que obteve na UFC e as de Antropologia Urbana, realizadas no Museu Nacional pelo prof. Dr. Gilberto Velho (in memoriam), passou a escrever sobre os jovens afinados com o Metal, colhendo relatos por meio de entrevistas elaboradas a partir das descrições das performances em shows, ocorridas nos mais diferentes espaços das duas cidades e outros tipos de eventos alusivos ao rock Metal.


"Eu buscava compreender as múltiplas experiências que envolvem as subjetividades e os respectivos projetos de vida, bem como despertar a academia para a relevância significativa das culturas juvenis, as musicalidades e a relação com o mercado."



O resultado se tornou a publicação “Entre a ‘terra do sol’ e a ‘cidade maravilhosa’: rotas, desvios e torneios de valor nos circuitos do rock Metal” (Editora CRV, 2017).

Em conjunto com essas pesquisas acadêmicas, dedicou-se a duas outras: a primeira foi realizada de 2005 a 2006 pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (SECULT), sobre o mapeamento do patrimônio cearense nos municípios do Cariri, região Sul do Ceará, nos quais Abda cartografava os chamados “guardiões da cultura”, realizando entrevistas, registros audiovisuais e as transcrições das falas dos interlocutores.


Já a segunda, em 2007, tratava-se de uma investigação qualitativa e quantitativa em três bairros do subúrbio e dois da classe média, patrocinada pela Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, cujos questionários a serem respondidos pelas mulheres entre 16 a 45 anos versavam sobre gênero, sexualidade, maternidade, emprego e renda.

Em 2014, Abda assume a docência na Faculdade do Vale do Jaguaribe (FVJ), na cidade de Aracati, distante a 150 Km de Fortaleza. Na rota do sol nascente, cujas estradas nos levam à Praia de Canoa Quebrada, Abda compartilhou saberes e práticas antropológicas com educandas e educandos dos cursos na área de Saúde e do Direito.

Recentemente passou a integrar o Núcleo de Extensão da instituição e a colaborar com os programas de TV, transmitidos pelo Youtube via Conexão FVJ e retransmitidos pela TV Sinal de Aracati.



Como parte das suas inquietudes acadêmicas e das relações generosas com os colegas das mais diferentes partes do Brasil e além deste, também compõe como pesquisadora o Laboratório das Artes e das Juventudes da Universidade Federal do Ceará (LAJUS/UFC) e participa da Rede Luso Brasileira de pesquisa em artes e intervenções urbanas (UFC).

Por meio do convite da professora Dra. Luciana Requião, passou a integrar o Grupo de Estudos em Cultura, Trabalho e Educação da Universidade Federal Fluminense, Campus Angra dos Reis (GECULTE/IEAR/UFF).


Com o prof. Dr. Pedro Alvim, o Projeto de Extensão BAIXADA METAL, um registro audiovisual de culturas periféricas da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (FEBF/UERJ) e, por meio do prof. Dr. Mauro Amoroso, atua no Programa de Estudos em Cultura Urbana, Audiovisual e Artes na Periferia (PROCURA na Periferia), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), apoiador das atividades extensionistas Universidade do Comum.



Da parceria com o prof. Dr. Márcio Mello, colega no Museu Nacional, surgiu o convite para o Grupo de Pesquisa Tecnologias Sociais, Cultura e Promoção da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

E, por fim, por meio da professora Dra. Nazaré Penna (FVJ) e a professora Dra. Violeta Holanda, Abda passou a integrar o Grupo de Pesquisa Centro Interdisciplinar de Estudos de Gênero Dandara da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro- Brasileira (UNILAB).

Além disso, Abda é adepta das Práticas Integrativas em Saúde, especialmente da Arteterapia e da Meditação Raja Yoga, fazendo valer os princípios de universalidade, integralidade e equidade que configuram o SUS e a proposta de uma medicina integrativa.



Abda vivenciou experiências em missões antropológicas na fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana Inglesa. A primeira ocorreu em 2011, em paralelo a um evento de Antropologia em Boa Vista, encontrando as etnias Taurepang (VEN) e Macuxi (BRA).


Por meio da estrada em direção à Venezuela, mirando as belas paisagens até a passagem tensa na fronteira, falar dois idiomas ao mesmo tempo e converter moedas de acordo com a economia de cada país, não só me enriqueceu, mas também reforçou o encontro entre a ciência que ela escolheu e que por ela foi escolhida - a Antropologia.


Sete anos depois, com o apoio da FVJ, retornou para um evento acadêmico e as vivências humanitárias com os refugiados na mesma região. Foi difícil ser fichada pelo Exército, experimentar de perto as implicações da migração mediante as visitas que fazia ao comissariado da ONU na fronteira e, voltar para casa da família que sempre a acolheu por aqueles lados da América do Sul, sentindo-se afetada pela crise humanitária com a qual se deparou.



Ficam as recordações com os colegas educadores venezuelanos com quem trocou ideias sobre a arte de ensinar e aprender. Tornar-se humano era a missão de todos os dias que Abda experienciava, em conjunto com a amiga Vângela Morais e sua família.


Em todas essas vivências manteve e mantém o compromisso com o conhecimento, a alteridade e a ética, sob a perspectiva de uma ciência bela, afetuosa e revolucionária, semelhantemente à música do Metal que a moldou à escuta pensante e à práxis underground, tornando-se, humildemente, Abda Medeiros.


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